A reta final das eleições traz um comportamento conhecido de quem atua no mercado: diante da incerteza, parte dos investidores prefere aguardar antes de tomar grandes decisões de alocação de patrimônio.
No mercado imobiliário da Costa Esmeralda e do litoral norte catarinense, porém, essa cautela convive com uma realidade muito particular.
Itapema, Balneário Camboriú, Porto Belo, Bombinhas e cidades vizinhas continuam atraindo compradores de diferentes regiões do Brasil.
Essa percepção vem do contato diário com investidores.
Em viagens e atendimentos, especialmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, continuamos encontrando forte interesse pelo litoral catarinense.
Mais recentemente, percebemos também um olhar crescente de São Paulo para nossa região.
O interesse, portanto, não desapareceu. Em alguns casos, mudou o timing da decisão.
Atuo há aproximadamente 15 anos no mercado imobiliário regional e, nesse período, já atravessamos diferentes eleições, mudanças de governo, crises e ciclos de alta e queda dos juros.
A experiência demonstra que o litoral catarinense possui uma característica importante: resiliência.
No cenário estadual, as pesquisas indicam uma perspectiva maior de continuidade política.
Nacionalmente, a disputa presidencial permanece competitiva, e o mercado acompanha não apenas a Presidência, mas também a futura composição do Congresso e do Senado.
Independentemente da preferência política de cada brasileiro, o setor imobiliário responde a fatores bastante objetivos: confiança, responsabilidade fiscal, inflação, segurança jurídica, crédito e juros.
Com a Selic ainda elevada, investimentos financeiros conservadores permanecem atrativos.
Uma trajetória sustentável de redução dos juros, acompanhada de maior previsibilidade econômica, pode alterar a forma como empresários, investidores e famílias decidem onde alocar seu patrimônio, favorecendo a economia real e também o mercado imobiliário.
É nesse ponto que acredito que nossa região chega especialmente preparada.
A Costa Esmeralda e o litoral norte catarinense possuem fundamentos próprios.
Qualidade de vida, segurança, praias, infraestrutura, gastronomia, serviços e empreendimentos cada vez mais qualificados transformaram a região em destino de patrimônio de investidores de diferentes estados.
Minha percepção é que existe hoje uma parcela de investidores esperando o encerramento das eleições para ter maior clareza sobre o próximo ciclo econômico.
Isso não significa que os negócios tenham parado. Significa que algumas decisões podem estar sendo postergadas.
Depois das urnas, uma variável importante sai da mesa: a incerteza eleitoral.
O país conhecerá o presidente eleito, a composição do Congresso e do Senado e, posteriormente, as primeiras sinalizações econômicas para os próximos anos.
Havendo alternância de poder ou continuidade do atual governo, o investidor deixa de trabalhar apenas com hipóteses e passa a analisar fatos concretos.
Por isso, vejo com confiança o período pós-eleitoral e 2027.
Não porque uma eleição isoladamente determine o sucesso do mercado imobiliário, mas porque uma eventual combinação de maior previsibilidade, equilíbrio fiscal, inflação controlada e juros gradualmente menores encontrará um litoral catarinense já fortalecido e cada vez mais nacional.
Em 15 anos de atuação, vimos eleições passarem, governos mudarem e diferentes ciclos econômicos.
E nossa região continuou avançando.
As eleições passam, os ciclos mudam, os fundamentos permanecem.
E os fundamentos do litoral catarinense continuam muito fortes.
O autor é advogado atuante desde 2009 e executivo do setor imobiliário, com atuação há cerca de 15 anos no mercado catarinense.
Arthur Freitas Rasmussen
Fonte: Joca Baggio
Por: Rosilene Bejarano