Para além da religião, espiritualidade pode oferecer sentido, esperança e sensação de pertencimento em períodos de sofrimento; especialista alerta que ela não substitui tratamento de saúde mental
Quando uma pessoa passa por uma perda, enfrenta uma doença, atravessa uma crise familiar ou simplesmente se vê sem perspectivas, é comum procurar diferentes formas de lidar com o sofrimento.
Para algumas pessoas, a fé e a espiritualidade fazem parte dessa rede de apoio.
A relação entre espiritualidade e saúde emocional não significa, porém, que acreditar seja suficiente para solucionar problemas psicológicos ou psiquiátricos.
A questão está em compreender como a fé pode contribuir para aspectos como esperança, significado, conexão social e enfrentamento de situações difíceis.
“Quando estamos passando por um momento de dor, nem sempre precisamos imediatamente de uma resposta. Muitas vezes, precisamos encontrar um sentido para continuar.
Para mim, a fé tem esse papel: ela pode trazer esperança e lembrar que aquele momento difícil não representa necessariamente toda a nossa história”, afirma Claudine Zattar, escritora, compositora e empresária idealizadora do projeto Mensagens da Alma.
O que significa espiritualidade?
Espiritualidade não precisa estar necessariamente ligada à prática de uma religião específica.
Ela pode envolver a busca por significado, valores pessoais, conexão com outras pessoas ou uma dimensão de transcendência.
Na prática, para quem possui uma vivência religiosa ou espiritual, momentos como oração, meditação, leitura, música e participação em comunidades podem fazer parte das estratégias utilizadas para enfrentar períodos de estresse e sofrimento.
O benefício, portanto, não estaria em uma suposta capacidade de “curar” uma doença por meio da fé, mas no suporte emocional e social que determinadas práticas podem proporcionar.
“Eu não vejo a fé como uma promessa de que não teremos problemas.
Pelo contrário.
A vida continua tendo perdas, dificuldades e momentos de incerteza.
A fé pode ser uma maneira de encontrar força para atravessar essas experiências sem perder completamente a esperança”, explica Claudine.
Palavras também podem ser uma forma de acolhimento
Foi a partir dessa percepção que Claudine criou, ao lado de Fabíola Bernardes, o Mensagens da Alma, projeto que utiliza mensagens, música e encontros como formas de reflexão e acolhimento.
A proposta surgiu da percepção de que muitas pessoas atravessam períodos emocionalmente difíceis sem necessariamente encontrar espaços para falar sobre aquilo que estão sentindo e esperança e, principalmente, de alguém que lembrasse que elas não estavam sozinhas.
O Mensagens da Alma nasceu desse desejo de levar uma mensagem que pudesse tocar essas pessoas”, conta.
A iniciativa também utiliza a música como ferramenta de conexão.
Para Claudine, uma mensagem pode não modificar uma circunstância externa, mas pode provocar uma mudança na maneira como alguém se relaciona com aquele momento.
“Uma palavra não resolve uma doença, não substitui um tratamento e não apaga uma perda.
Mas ela pode chegar em um momento importante e fazer alguém respirar, refletir e encontrar forças para procurar ajuda ou dar o próximo passo”, afirma.
Fé não substitui tratamento
Essa distinção é importante principalmente quando o assunto é saúde mental.
Ansiedade, depressão, transtornos relacionados ao trauma e outras condições precisam ser avaliados e tratados por profissionais habilitados.
A espiritualidade pode fazer parte da vida de algumas pessoas e integrar sua rede de apoio, mas não deve ser apresentada como alternativa a psicoterapia, acompanhamento médico ou uso de medicamentos quando indicados.
“Precisamos falar sobre fé sem criar a ideia de que quem tem fé não sofre ou não precisa de ajuda.
Sofrimento faz parte da experiência humana.
Procurar um psicólogo, um psiquiatra ou outro profissional de saúde não significa ter menos fé.
Significa também cuidar de si”, ressalta Claudine.
Para ela, o principal papel da espiritualidade está justamente em oferecer uma possibilidade de esperança em momentos nos quais ela parece distante.
“Talvez a fé não tenha o poder de mudar imediatamente aquilo que estamos vivendo, mas pode mudar a forma como encontramos forças para enfrentar o que estamos vivendo.
E, para quem acredita, isso pode fazer uma diferença enorme”, conclui.
Sobre Claudine Zattar
Claudine Zattar é advogada, empresária, escritora, comunicadora, coach e compositora, idealizadora do projeto Mensagens da Alma.
Há dez anos, desenvolve conteúdos voltados à fé, espiritualidade, autoconhecimento, esperança e propósito, por meio de livros, músicas e mensagens.
Fonte: Paola Cunha
Por: Rosilene Bejarano