Evento realizado pelo duo A Corda em Si, o Praça Inclusiva, utiliza da arte do encontro para criar experiências de convivência entre pessoas típicas e atípicas na Ilha de Santa Catarina e na Beira-Mar Continental

Arte, música, tecnologia, esporte e acessibilidade unem-se para transformar as praças públicas de Florianópolis em espaços de convivência e pertencimento.

Essa é a proposta do “Praça Inclusiva: Música, Lazer e Acessibilidade”, encontro que será nos dias 15 e 17 de outubro de 2026, respectivamente na Praça da Cidadania, na UFSC, e na Outside Pista de Skate, na Beira-Mar Continental, sempre com início das atividades às 13h.

A programação gratuita é voltada a promover encontros entre diferentes pessoas e provocar reflexões sobre o capacitismo estrutural por meio de experiências culturais e esportivas acessíveis.

Realizado pelo duo A Corda em Si, formado pelos músicos Mateus Costa (contrabaixo) e Fernanda Rosa (voz), o encontro é inspirado nos princípios do DEF Futurismo, corrente que conecta deficiência, tecnologia e arte para imaginar futuros mais acessíveis e fortalecer o protagonismo de pessoas com deficiência na produção cultural.

A proposta vai além da oferta de recursos de acessibilidade: busca redesenhar os espaços urbanos para que todas as pessoas possam ocupá-los com autonomia e pertencimento.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, divulgado em 2025, 7,3% da população brasileira é formada por pessoas com deficiência (PCDs), o equivalente a 14,4 milhões de pessoas.

Em Florianópolis, são cerca de 29,3 mil moradores PCDs.

Apesar dessa presença significativa, a participação desse público em atividades culturais e esportivas ainda enfrenta barreiras físicas, comunicacionais e, principalmente, sociais.

Assim, o evento propõe experiências em que arte, tecnologia, esporte e acessibilidade caminhem juntas, permitindo que diferentes pessoas compartilhem os mesmos espaços em condições de autonomia e pertencimento.

Para todos pertencerem

Os realizadores do projeto, Mateus Costa e Fernanda Rosa, são músicos com deficiência visual cuja trajetória artística tem reconhecimento estadual e nacional.

Conforme explica Mateus, é muito comum que as atividades que têm acessibilidade nem sempre deixem a ação de fato acessível.

“A nossa proposta vai além da acessibilidade básica com audiodescrição, rampas de acesso e intérprete de LIBRAS”, explica.

“Utilizamos essas ferramentas para redesenhar os espaços urbanos e culturais de forma a fazer com que verdadeiramente pessoas com deficiência sintam-se pertencentes àqueles espaços”, afirma.

Entre as atividades previstas está uma prévia do show “As paredes têm ouvidos”, apresentado pelo duo A Corda em Si com participação do percussionista Rodrigo Gudin Paiva e do MC e DJ Beal.

“Nós vamos fazer um show para ser curtido em família, com leveza e diversão”, garante Fernanda.

Além deles, o projeto Sexto Sentido, que trabalha com atletismo adaptado para cegos, o projeto Brincando com as Mãos, da Brinque com Madeira, e a Bengalantes Cia de Dança da Associação Catarinense de Integração do Cego (ACIC) farão atividades para uma tarde de sensibilização e convivência com a diversidade.

É importante frisar que os locais que sediarão o Encontro são totalmente acessíveis a todos os públicos, “incluindo pessoas cadeirantes, pessoas idosas com mobilidade reduzida e mães e pais com carrinho de bebê poderão desfrutar desse evento, sentindo-se pertencentes àquele espaço”, reflete Fernanda.

Assim, através da arte do encontro será possível criar experiências de convivência em que pessoas típicas e atípicas compartilham o mesmo espaço, a arte, o esporte e o lazer.

Na programação, que é totalmente gratuita, estão atividades recreativas adaptadas para o público geral e para pessoas com deficiência, em parcerias com iniciativas de Florianópolis, além de apresentações culturais e momentos de networking.

Diversidade humana e evolução social

De acordo com os músicos realizadores do projeto, o convite é para que todos percebam que a deficiência não deve ser vista apenas como uma limitação, mas sim como parte da diversidade humana e da evolução social.

Eles explicam que evidenciar a arte de músicos PCDs de excelência é uma forma de inspirar familiares e crianças com deficiência.

“Ao perceber as possibilidades que temos, as pessoas presentes, principalmente as PCDs, podem projetar seus futuros para além das barreiras sociais atuais”, observa Fernanda.

“Isso significa almejar uma vida com mais autonomia, dignidade e pertencimento na sociedade”, reforça.

Ao ocupar as praças públicas com experiências acessíveis, o Praça Inclusiva convida a sociedade a reconhecer a deficiência como parte da diversidade humana e contribui para romper barreiras capacitistas que ainda limitam o pertencimento de muitas pessoas.

“O convite é para que esse encontro entre pessoas típicas e atípicas torne-se tão potente, que as barreiras do estranhamento pelo desconhecido sejam desfeitas, fazendo com que todos entendam, com naturalidade, o que e como é este estilo de vida”, concluem os músicos.

O evento “Praça Inclusiva: Música, Lazer e Acessibilidade”, fomenta a cultura acessível, que traz visibilidade a artistas e esportistas PCDs e incentiva o protagonismo dessas pessoas no cenário cultural.

A proposta cultural foi viabilizada pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011 e conta com o apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Outside Pista de Skate da Beira-Mar Continental.

É possível acompanhar a programação pelo Instagram @acordaemsi.

SERVIÇO
O que: Encontro “Praça Inclusiva: Música, Lazer e Acessibilidade”
Quando: dias 15 e 17 de outubro de 2026
Onde: respectivamente na Praça da Cidadania, na UFSC, e na Outside Pista de Skate, na Beira-Mar Continental, sempre com início da programação às 13h
Entrada: gratuita

Programação disponível: nos perfis @acordaemsi e @maf.economiacriativa, no Instagram

Produção: MAF Economia Criativa
Assessoria de Imprensa: Leticia Bombo | Eccoa Comunicação

Por: Rosilene Bejarano